martes, 21 de septiembre de 2010

A população se mistura, centros urbanos. Os afavelados.

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Música: Chiquinha Gonzaga SP fins do século XIX

Na Europa do final do século XIX, os conceitos de superioridade racial dos brancos tinham prestígio. Sobre o tema postei no blog: Joseph Arthur de Gobineau o martes 6 de julho de 2010
http://hilda-mendoza.blogspot.com/2010/07/joseph-arthur-de-gobineau-1816-1882.html
O pensamento da época adotou essas "teses científicas" para defender o “branqueamento” da população como fator necessário para o desenvolvimento do Brasil; a elite brasileira era majoritariamente branca e considerava certas as teorias que indicavam que o atraso do país se devia a sua população, composta por negros e mestiços.
Fazendo estas considerações, vemos que a imigração não era considerada somente um meio de suprir a mão-de-obra necessária na lavoura, ou de colonizar o território nacional coberto por matas virgens, mas também como meio de "melhorar" a população brasileira pelo aumento da quantidade de europeus, isso foi chamado de "branqueamento”.

Tinha valor então, que os filhos tivessem “todos os caracteres físicos da raça branca”. Ao disser de Nina Rodrigues (1918, considerado o criador da Medicina Legal brasileira): "a civilização ariana está representada no Brasil por uma fraca minoria da raça branca a quem ficou o encargo de defende-la (...) (dos) atos anti-sociais das raças inferiores...".
Depois de 30 anos de abolida a escravidão, a discriminação seguia intacta.

Seleção dos imigrantes
As políticas dos governos para imigração foram influenciadas pelas propostas de branqueamento como se fosse “ciência comprovada” já que durante a primeira metade do século XX as pessoas davam por certas essas teorias.
Em 1890, o presidente Deodoro da Fonseca assinou um decreto que fixava a entrada de imigrantes da África e da Ásia, a mesma dependeria da autorização do Congresso Nacional. O decreto não restringia a imigração dos europeus. A “seleção dos imigrantes” aconteceu em todos os países, outros, restringiram a entrada de imigrantes do sul da Europa (italianos, espanhóis, portugueses, gregos, etc) como em Estados Unidos de América enquanto beneficiavam a entrada de imigrantes do norte da Europa (ingleses, escoceses, alemães, suecos, noruegueses, etc).
A migração japonesa aconteceu no Brasil depois de modificado o decreto (1908) já que tinha diminuído a imigração européia e faltavam trabalhadores.

Imigração interna, urbanização e favelas.
Devemos lembrar que os trabalhos oferecidos aos imigrantes eram trabalhos para pessoas pobres (lavouras do café e mineração) apenas uns poucos se tornaram proprietários e a massa de italianos, espanhóis e portugueses tinha sido mandada às minas ou para as fazendas do café trabalhando nas plantações de terceiros com salários fracos ou como colonos, uma forma de trabalho semi-assalariado onde receberem salário misto, entre dinheiro e terra para plantar seu próprio sustento... Eles tiveram maior tendência a se misturar com índios e negros além de outros imigrantes. Em geral, os alemães, suíços, japoneses e chineses ficaram em suas comunidades sem misturas ou simplesmente com algumas poucas misturas só com outros imigrantes e tiveram melhores condições econômicas.
Os imigrantes que em seus países de origem eram tipicamente urbanos se dedicaram ao comércio nas cidades.
As jornadas de trabalho nas plantações eram esgotadoras e as pessoas eram exploradas por parte dos fazendeiros. Milhares de pessoas abandonaram as plantações de café e partirem para as cidades em busca de melhores condições de vida chegaram sem casa e sem trabalho.
Além dos colonos, também imigraram às cidades todos os habitantes sem condições de sobrevivência em as seus regiões de origem (por exemplo, os retirantes do sertão).
Nos centros urbanos se agruparam por nacionalidades, (assim, por exemplo, em SP os italianos se agruparam em Mooca e Bela Vista), foram operários trabalhando na incipiente indústria brasileira.
A população começou a se misturar, por própria decisão ou por violência exercida pelas pessoas de melhores condições econômicas ou sociais. Em ambos os dois casos, surgiram diversidade étnica e cultural.
A Imigração urbana deu uma nova fisionomia às cidades industrializadas. O Brasil passava por um processo de urbanização surgindo os bairros de pessoas pobres, pessoas afaveladas.
Ao chegar os imigrantes europeus trouxeram suas idéias políticas anarquistas, socialistas. Suas idéias do sindicalismo, e começaram as greves operárias em todo o país.

Nas próximas pesquisas tentarei compreender como era a vida dessas pessoas que chegaram aos centros urbanos e se integraram aos trabalhos “de cidade”. Negros, índios e europeus, todos pobres, todos sem morada, todos com poucas condições econômicas e com analfabetismo ou semi-analfabetismo, todos com história de lutas pela sobrevivência ou pela liberdade...

sábado, 4 de septiembre de 2010

Pessoas que entraram no Brasil:

A riqueza de nosso continente produziu a espoliação que ocasionou nossa pobreza atual...
Até o ano 1822, as pessoas que entraram ao Brasil foram colonizadores, depois foram imigrantes.
Quando começou a expansão da economia, principalmente no período das grandes plantações de café no estado de São Paulo, começaram a fomentar a imigração estrangeira já para trabalharem nas plantações ou nas minas de ouro, trabalho de pessoas pobres.
Em todo o século XIX e princípio do século XX, elas chegaram pelo fomento dos governos não porque tivessem condições econômicas. A chegada das pessoas com condições econômicas boas foi em pequena escala e se deu no século XX.
Nos movimentos imigratórios se podem considerar cinco etapas:
1. Ocupação inicial por povos conhecidos como originários (chamados de índios).
2. Colonização (entre 1500 e 1822) feita por portugueses (onde trouxeram escravos provenientes da África). A maioria dos portugueses fazia parte da iniciativa privada que colonizou o País: grandes fazendeiros ou empresários falidos em Portugal que, através da distribuição de sesmarias, tentavam se enriquecer facilmente e retornar para Portugal. Dedicaram-se principalmente à agricultura, baseada no trabalho escravo, inicialmente efetuado por indígenas, mas, sobretudo, por escravos africanos.
3. Por imigrantes alemães e chineses. E, depois de 1875, pelos imigrantes italianos.
4. Imigração como fonte de mão-de-obra para as fazendas de café na região de São Paulo, entre o final do século XIX e início do século XX, foi com um largo predomínio de italianos, portugueses, espanhóis e japoneses. Só alguns retornaram a os seus países.
5. Com melhores condições econômicas chegaram para os centros urbanos em crescimento, italianos, portugueses, espanhóis, japoneses e sírio-libaneses, além de várias outras nacionalidades. Há uma Imigração mais recente, reduzida e de pouco impacto demográfico, iniciada na década de 1970.
Os primeiros imigrantes voluntários a vir para no Brasil foram os chineses, no ano 1808, foram trazidos pelo governo do príncipe regente com o objetivo de introduzir o cultivo de chá no Brasil.
Entretanto, a mão-de-obra livre de imigrantes estrangeiros ainda era considerada dispensável pelos grandes fazendeiros.
O primeiro movimento organizado de imigrantes europeus, contratado pelo governo brasileiro, foi a imigração suíça para a região serrana do Rio de Janeiro. A sua maioria era composta de suíços de cultura e língua francesa, não eram pobres e puderam abandonar seus lotes e se dispersaram por toda a região serrana e centro-norte do estado do Rio de Janeiro, em busca de terras férteis e mais acessíveis. O segundo movimento organizado foi de imigrantes alemães que também se estabeleceram na mesma região. A colônia de suíços e alemães originou a atual cidade de Nova Friburgo no Rio de Janeiro.
Desde a Independência do Brasil, diversas leis proibiram o tráfico de escravos, mas foi somente com pressão militar e política da Grã-Bretanha que terminou o tráfico negreiro em 1850, foi quando pensaram nos imigrantes não portugueses e, nas fazendas, começou a se utilizar o colonato, uma forma de trabalho semi-assalariado. O imigrante e sua família recebiam o salário misto, entre dinheiro e um pedaço de terra para plantar seu próprio sustento. As jornadas de trabalho exaustivas e a exploração por parte dos fazendeiros faziam os primeiros imigrantes deixarem as plantações de café e partirem para os centros urbanos onde se dedicaram ao comércio e à indústria, com dificuldade para se adaptarem.
A grande maioria dos colonos ficou em definitivo no Brasil e permaneceu tão pobre (ou mais) que como chegara.
Os colonos pobres de diferentes nacionalidades sem condições para sair dessa situação (só alguns o lograrem) se instalaram perto dos outros marginalizados... os índios, os negros e formarem a população pobre do Brasil, os excluídos. Os que originaram diversos conflitos sociais.
O Brasil misturado da pobreza será o tema das próximas pesquisas.