domingo, 6 de febrero de 2011

O Brasil e sua economia. Nota 4

Ciclo da borracha (1879-1912).
Mão-de-obra análoga à escravidão
No início do século XVIII, foram descobertas as propriedades de uma árvore nativa da região amazônica que teria vários usos na vida humana. Com seu látex foi possível a fabricação de pneumáticos para a indústria automobilística. Um século depois, cerca do ano de 1870, começou a tornar-se sensação na Europa e nos Estados Unidos. A demanda crescia e gerou um rápido aumento na cotação internacional do produto.
O único local de existência da árvore era na Amazônia. Fazendeiros, pequenos agricultores, e outros empresários foram atraídos para constituir fazendas voltadas à extração de látex. Foram barões da borracha concentrando renda e mão-de-obra análogas à escravidão. Quando as pessoas chegavam para trabalhar, tornavam-se escravos por dívida com os coronéis.
Os fazendeiros da borracha concentraram a mesma participação que os cafeeiros durante o ciclo do café e proporcionou grande expansão da colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais.Os lucros ficaram concentrados basicamente nas metrópoles amazônicas, Belém e Manaus, suas rendas chegavam a ser uma das mais altas do planeta. Os lucros eram destinados principalmente às mãos dos empresários do sector financeiro. As duas cidades passaram por profundas reformas urbanas, frutificando imensos projetos urbanísticos, suntuosos palácios, luxo afrancesado.
Foi uma época de ostentação. O Ciclo da Borracha foi também conhecido na Amazônia como a Belle Époque.
Cerca de 30 mil trabalhadores morreram abandonados na Amazônia, depois de terem extraído o ouro branco. Eles morriam de malária, febre amarela, hepatite, atacados por animais ou assassinados quando resistiam lembrando as regras do contrato com o governo.
O governo brasileiro também não cumpriu a promessa de reconduzi-os de volta à sua terra. Calcula-se que conseguiram voltar ao seu local de origem cerca de seis mil homens.
Acreditavam que os altíssimos lucros da borracha seriam eternos. Com o fim do ciclo, tiveram suicídios, emigração em massa, abandono de casarões e o dinheiro ficou em poucas mãos...
O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida durante a II Guerra Mundial.
Os finais do primeiro e do segundo ciclo da borracha foram abruptos e demonstraram a incapacidade empresarial e falta de visão da classe dominante e dos políticos da região, eles não tiveram planos de desenvolvimento, gerando ineficiência e foram substituídos por empresas européias ou asiáticas.

miércoles, 2 de febrero de 2011

O Brasil e sua economia. Ciclo do café na Era Imperial (1822-1889). Nota 3

Poder nas mãos dos latifundiários, mudança do sistema escravista ao sistema capitalista.

Ao se proibir o tráfico negreiro, em 1850, e no período posterior, os argumentos ideológicos do fato se misturaram com os econômicos.
O capital antes empregado no tráfico negreiro foi direcionado a setores como empresas de serviços urbanos, transportes, bancos e comércio. O Brasil recebeu entre 1850 e1875, mais de 23 milhões de libras esterlinas em empréstimos estrangeiros.
O governo imperial facilitou em crédito esse dinheiro acumulado para a compra de equipamentos modernos, para a vinda de imigrantes, diminuiu vários impostos para colaborar com a modernização da produção agrícola do país. Elevou-se a taxa de imposto para todas as mercadorias importadas para incentivar a indústria nacional, criou franquias aduaneiras para importações relacionadas a desenvolver a agricultura.
Os produtos competirem com os produtos estrangeiros.
Os grupos dirigentes regionais eram os mesmos, agora com clareza de pertencerem a uma classe dominante, classe que era a única que podia impor um projeto nacional estruturado y coerente e os únicos que tinham acesso aos empréstimos.
Essa classe social não tinha homogeneidade, integrada por nordestinos plantadores de açúcar e algodão, os paulistas plantadores do café e os pecuaristas que estavam nas terras do interior, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Essa falta de homogeneidade marcaria os conflitos futuros. Neste período, se eram empresas de grande porte, receberam os benefícios em conjunto.
Os estabelecimentos industriais surgiram, maiormente, no Sudeste brasileiro (principalmente nos estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e mais tarde, em São Paulo), e receberam a classificação de "fábricas" ou "manufaturas". As de pequeno porte se assemelhavam mais a oficinas artesanais maiores do que a fábricas propriamente ditas, atuavam em ramos extremamente diversos, chapéus, pentes de tartaruga, ferraria e serraria, fiação e tecelagem, sabão e velas, vidros, tapetes, oleados, alimentos, fundição de ferro e metais, lã e seda, dentre outros.
Utilizavam como mão-de-obra tanto elementos livres como também escravos.
Apenas nove estabelecimentos eram de grande porte e poderiam ser considerados um "prenuncio de uma nova era para as manufaturas", eles receberiam os benefícios das medidas do governo.
A concentração do capital estava assinada.
O Estado de São Paulo foi a que tive melhor sucesso, realizando a transição do antigo sistema econômico escravista para o moderno capitalista. No Rio de Janeiro preferirem de manter mão-de-obra escrava até o fim, o que causaria o seu colapso incapazes de assimilar as novas tendências do mercado.
Como o Brasil detinha o controle sobre grande parte da oferta mundial do café, podia facilmente controlar os preços nos mercados internacionais, obtendo assim lucros elevados.
Na zona amazônica começou, paralelamente o “Ciclo da Borracha”.

Revisão do marco político-histórico para o enquadre da economia. (1860-1880)

A partir de 1860, os trabalhadores escravizados começaram a contar com potenciais aliados entre as classes livres que viviam à margem ou mesmo em contradição com a ordem negreira. Nos anos sessenta, o fim da Guerra nos estados Unidos de América, o desenvolvimento do abolicionismo na Europa e a geração de setores livres nacionais desvinculados do escravismo ensejaram o surgimento de um movimento, emancipacionista e abolicionista, no Brasil.
Os cafeicultores escravistas constituíam a classe nacional dominante e impediam que o Brasil se dividisse em regiões escravistas e não-escravistas.
O governo imperial serviu-se da guerra do Paraguai, em 1865-70, para postergar a reforma da instituição servil. Com o fim do confronto, empreendeu hábil manobra que neutralizou o movimento anti-escravista, nacional e internacional.
Em 1871, aprovou a Lei do Ventre Livre. A partir da data da lei, os filhos de cativas nasciam livres. Porém, eles deveriam trabalhar, gratuitamente, até os 21 anos, para os proprietários de suas mães.
Por mais dez anos, os negreiros exploraram seus trabalhadores, quase sem oposição. Os cativos morriam, envelheciam ou eram vendidos para o Centro-Sul.

Leia mais:

Pessoas que entraram no Brasil: http://sociedadepovos.blogspot.com/2010/09/pessoas-que-entraram-no-brasil.html

A população se mistura, centros urbanos. Os afavelados
http://sociedadepovos.blogspot.com/2010/09/populacao-se-mistura-centros-urbanos-os.html

sábado, 29 de enero de 2011

O Brasil e sua economia. Ciclo do café na Era Imperial (1822-1889). Nota 2


Poder nas mãos dos latifundiários, mudança do sistema escravista ao sistema capitalista.


As razões pelo qual foi extremamente limitado o advento de manufaturas anteriormente a década de 1840, ocorreram devido
* à auto-suficiência das regiões do Brasil (principalmente das fazendas do café e da cana-de-açúcar, que produziam seus próprios alimentos, vestuário, equipamentos, etc…),
* à falta de capitais e
* ao alto custo da produção.
Com o passar das décadas, surgiram novas tecnologias provocando aumento da produtividade interna; as exportações aumentariam e em 1859, alcançariam o tão desejado equilíbrio na balança comercial, dobrando em volume e triplicando em valor nominal.
A maior parte das exportações brasileiras eram produtos agrícolas.
A incorporação dos trens tornou o transporte de carga menos oneroso e mais rápido, diminuindo consideravelmente o custo de produção.
O valor absoluto das exportações do Império em 1850 era o mais elevado da América Latina (o triplo da Argentina, que estava em quarto lugar) e manteria essa posição até o final da monarquia. O crescimento econômico brasileiro foi importante, enquanto os que se dedicavam ao trabalho agrícola tinham economia de subsistência e só podiam vender nos mercados locais.
Os novos e importantes estabelecimentos industriais receberam subvenções e os grandes produtores agrícolas buscaram modernizar seus empreendimentos para manter a competitividade no mercado internacional.
Na região sudeste a produção do café, que no início do Brasil independente respondia por apenas 3% nas exportações, foi se tornando mais e mais importante para a economia brasileira, principalmente devido ao aumento extraordinário no mercado consumidor internacional.
As fazendas cafeeiras eram praticamente auto-sustentáveis, pois não só o café era produzido, mas também a alimentação e vestuário para os escravos, negando a possibilidade de surgimento de outros setores econômicos voltados para este mercado concentrando poder.
Os salários dos trabalhadores livres eram menos onerosos que o sustento dos escravos (1), dessa forma, foi realidade a extinção do tráfico negreiro, em 1850, apurados pela Grã-Bretanha, os produtores se focarem na manutenção da mão-de-obra livre buscando impedir uma alta nos custos da produção. Conclusão: O salário foi menor mais uma vez.
Começou o êxodo das pessoas livres sem condições buscando trabalho. Absorveram imigrantes estrangeiros que chegavam e também a ex-escravos.
A renda per capitã era elevada, mais a riqueza estava concentrada em poucas mãos.
Ás inovações técnicas e tecnológicas se opunha a espoliação dos trabalhadores.
Um país muito desigual estava em construção.

(1) Os trabalhadores livres não causavam gastos em alimentos, vestidos, saúde... Um trabalhador doente era substituído imediatamente, milhares esperavam esse trabalho... Um escravo tinha uma mínima atenção que encarecia o produto.

Revisão do Marco político-histórico para o enquadramento da economia. (1822-1860)

Os grandes proprietários brasileiros romperam com a coroa portuguesa e com o absolutismo, mas entronizavam o herdeiro. Cortavam as amarras com Portugal, mas asseguravam os interesses lusitanos.
Os grandes proprietários mantiveram-se unidos sobretudo para garantir o abastecimento e a exploração dos cativos. O bloco independentista tinha muitas contradições, a crise européia, a recessão, o contexto de decadência fez que perdera o apoio dos escravistas. Com a Revolução Industrial na Europa renasceu a necessidade dos escravos para trabalhar nas lavouras do café.
O Estado unitarista e centralizador surgido em 1822 mantinha com dificuldade sua autoridade sobre imenso território transpassado por profundas diferenças sociais, históricas, lingüísticas, étnicas, etc.
Em 1837 o governo interpretava sobretudo aos ricos comerciantes de trabalhadores escravizados e aos grandes plantadores do Centro-Sul e da Bahia.
Em 1840, a estabilidade deveu-se à pujança da expansão cafeicultora e à interpretação imperial das necessidades da ordem escravista.

Em 1850, a pressão inglesa obrigou o governo imperial a pôr fim ao tráfico transatlântico de trabalhadores escravizados, os fins foram políticos e econômicos já que os trabalhadores livres eram menos onerosos. Os trabalhadores escravos foram substituído pelo tráfico interestaduais que alimentou a cafeicultura com cativos enviados de todo o Brasil.
Tomaram se medidas de fomento industrial com empréstimos estrangeiros o que ocasionou concentração de poder nas grandes empresas e diminuição do salário dos trabalhadores livres.
A crise econômica era geral e as concessões feitas aos estados liberais, limitadas. Os presidentes provinciais eram designados pelo governo central e desalentavam a pressão fiscal que era muito importante. Em diversas regiões, eclodiram movimentos liberais, federalista e separatistas, que não prosperaram mas receberam a adesão dos livres-pobres e dos trabalhadores escravizados.
Desde o início da escravidão, os cativos tinham lutado sós contra o cativeiro com algumas vozes isoladas pediam inutilmente reformas para a instituição.

viernes, 28 de enero de 2011

O Brasil e sua economia. Ciclo do café na Era Imperial (1822-1889). Nota 1

Poder em mãos dos latifundiários, mudança do sistema escravista ao sistema capitalista.
1889: golpe de Estado sem participação popular. Início da República Velha.

O ciclo do café. Nota 1
No Brasil do século XVIII, todo o trabalho era feito pelos escravos, todas as indústrias eram proibidas, não se fazia estradas para não incentivar o contrabando em 1808 praticamente inexistia meio circulante, obrigando a minúscula população livre a fazer escambo (troca sem dinheiro).
Na primeira metade do século XIX, mudou o sistema econômico escravista e colonial para uma economia capitalista, liberal e de iniciativa privada. Diversificou-se a economia, Investiu-se na melhoria das estradas terrestres e no desenho do sistema de portos para comerciar livremente, principalmente com a Grã-Bretanha pelos acordos assinados.
A família real e sua corte, instaladas desde 1808 no Rio de Janeiro, estavam acostumadas com elevados índices de consumo; para atenderem essa demanda já tinham navegação regular, o endividamento era muito importante na primeira metade do século. Nessa época, as importações eram muitas e criavam um déficit contínuo devido à falta de produtos manufaturados. Exportava-se açúcar, algodão, café, couros e peles.
A queda do preço do açúcar e o aumento do preço do café no mercado europeu foram marcando a mudança na produção brasileira surgindo uma nova classe social: Os cafeeiros.
Em 1830, o café era o produto mais exportado pelo Brasil, desbancando o ouro e o açúcar. Nesse ano, a terceira parte dos habitantes eram escravos.
No Rio de Janeiro, começou um movimento nunca antes visto renascendo o comercio aparecendo novos armazéns e começando a se plantar no município.
O café percorreu todo o litoral brasileiro, sempre em pequenas plantações para uso da casa ou em vendas. Os fazendeiros enriqueciam e abriam novas fazendas, compravam cada vez mais escravos para o trabalho na terra. Estimulava-se a vinda de outras as raças para o Brasil. (Desse estímulo já fiz comentário em outra nota, também foi para “fazer mais branca a população”)
A arquitetura de armazéns e lojas tinha portas no lugar de janelas e, quando sobrado, o comércio era no térreo e a residência no andar superior. Aos poucos, os habitantes foram o duplo, entretanto a riqueza ficava na mão de poucos. Os intermediários, donos de armazéns e barcos para vender a mercadoria no Rio de Janeiro, conseguiam impor os preços ao produtor garantindo assim boa margem de lucro.
Tinham no Brasil colonial, três classes de casas de negócios:
1. Comerciantes: Classe formada pelos proprietários de grandes capitais, que compravam toda a produção das fazendas ou importavam diretamente os produtos da Europa, ficando com toda a carga dos navios que chegavam.
2. Negociantes: Os comerciantes vendiam aos negociantes que revendiam ao público final e aos vendeiros.
3. Vendeiros: proprietários de pequenas vendas nas áreas rurais.

miércoles, 26 de enero de 2011

Revisão do Marco político-histórico para o enquadre da economia. Até 1822

Na primeira parte do século XVIII, as costas eram voltadas umas para as outras e de frente para a Europa e para a África. Os limitados meios de transporte e a política administrativa reforçavam os particularismos regionais. E geraram conflitos entre as regiões.
As fazendas regionais produziam mercadorias que eram exportadas pelos portos da costa. Os mercados internos quase inexistiam. A igual que os grandes proprietários americanos os fazendeiros sonhavam com a autonomia de suas respectivas regiões. As províncias se consideravam exploradas e governadas autoritariamente desde a Corte localizada no Rio de Janeiro e em algumas regiões discutiram a independência.
Tudo sugeria que o Reino do Brasil explodiria em diversas repúblicas o que causaria duros combates internos e com Portugal.
Começou como uma rebelião anti-lusitana que se transformou após na proclamação da independência, o 7 de setembro de 1822.

Independência ou Morte
quadro de Pedro Américo

sábado, 15 de enero de 2011

O Brasil e a sua economia. Período da cana-de-açúcar, a pecuária, a mineração.

Economia até 1822 (Independência do Brasil)
Diferentes foram os ciclos da economia no Brasil, mas em cada um deles se beneficiou um setor social em prejuízo dos outros provocando mudanças sociais, culturais e populacionais.
Falei da formação das favelas, reforçarei a tese que compartilharem muitos setores populares.
Os povos emigram pela necessidade de sobreviver às condições impostas pelo clima, pela economia... Todos os imigrantes procuraram melhores condições, para suas famílias e para si próprio.
Modo de produção escravista:
Não começarei pelo pau-brasil pelo afastado no tempo. Falarei da cana-de-açúcar trazida em 1502 por Américo Vespúcio. Esta plantação dava lucro à coroa e concretizou a colonização utilizando a mão de obra escrava, indígena e negra. Falei em outras notas das compras dos escravos, suas ânsias de liberdade e o tratamento dado a eles pelos donos, falei também sobre comportamento indígena. Não vou abundar nesse tema.
Os portugueses tinham poucos recursos, resolveram se aliar aos holandeses, eles financiaram a implantação e em troca, ficaram com a comercialização. Seu objetivo, produzir o máximo ao menor custo possível. Surgiram os grandes engenhos, os latifúndios, baseados em monocultura da cana-de-açúcar. Os outros cultivos só se faziam para a subsistência.
O melhor solo para a produção era o de nordeste pelo argiloso. Foi onde os engenhos mais se desarrolharam. Os latifundiários, os mais beneficiados. Na capela se abençoava a espoliação.
Os escravos que moravam na casa grande tinham benefícios que os outros nem imaginavam.
Muito bem plasmado por Jean Baptiste Debret entre outros
Para observarem a diferença.
Tem diferença no trato aos escravos. A todos faziam sofrer, mas ainda no sofrimento, alguns tinham melhor trato.

A sociedade com modo de produção escravista marcou os inícios da economia brasileira, atividade que gerou um setor chamado de tráfico negreiro interrompido em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós. Nas postagens anteriores há detalhes.
Pecuária
Pela necessidade da produção, o povoamento foi se estendendo ao interior e o gado foi empurrado para o interior junto com a cana, buscando solos favoráveis. O rio da integração foi o Rio São Francisco, as fazendas se instalavam ao longe de seu curso o gado chegava desde a Bahia até os Estados do Pìauí e Maranhão, assim se ocuparam o Sul do Estado do Maranhão.
A pecuária se relacionou com a cana-de-açúcar dentro do mesmo sistema econômico.
Paralelamente desde 1709 começou o Ciclo da mineração .
Ao redor de 1700 foram achadas as pedras preciosas e os metais valiosos, nas áreas que depois seriam Mina Gerais e Mato Grosso o que provocou um afluxo populacional vindo de Portugal e de outras áreas da colônia intensificando o comércio entre diferentes vilas e cidades, ocasionando os primeiros conflitos de interesses entre setores do poder. Surgiram as primeiras legislações e as primeiras oposições pela resistência mineira. Surgiu também o contrabando das pedras preciosas e, para evitarem a proibição da extração por cinco anos.
Entre 1740 e 1770 perto de dois milhões quilates foram extraídos, levando a queda do preço internacional. Regulou-se a extração, este regulamento durou até depois da independência do Brasil (1822).
A economia até 1822, de subsistência y voltada à exportação de matérias-primas, cana-de-açúcar, pedras preciosas e metais. A sociedade escravista. As manifestações de desconformidade dos trabalhadores eram as fugidas e a criação dos espaços de liberdade chamados de Quilombos. Muitas vezes pagavam com a morte essas manifestações, outras com castigos inumanos. .
No início do século XIX o café atingiu alto valor no mercado europeu. Aproveitando essa oportunidade, em 1830 já era o produto mais exportado pelo Brasil, desbancando o ouro e o açúcar. O Brasil tinha um incipiente comércio.

martes, 21 de septiembre de 2010

A população se mistura, centros urbanos. Os afavelados.


Música: Chiquinha Gonzaga SP fins do século XIX

Na Europa do final do século XIX, os conceitos de superioridade racial dos brancos tinham prestígio. Sobre o tema postei no blog: Joseph Arthur de Gobineau o martes 6 de julho de 2010
http://hilda-mendoza.blogspot.com/2010/07/joseph-arthur-de-gobineau-1816-1882.html
O pensamento da época adotou essas "teses científicas" para defender o “branqueamento” da população como fator necessário para o desenvolvimento do Brasil; a elite brasileira era majoritariamente branca e considerava certas as teorias que indicavam que o atraso do país se devia a sua população, composta por negros e mestiços.
Fazendo estas considerações, vemos que a imigração não era considerada somente um meio de suprir a mão-de-obra necessária na lavoura, ou de colonizar o território nacional coberto por matas virgens, mas também como meio de "melhorar" a população brasileira pelo aumento da quantidade de europeus, isso foi chamado de "branqueamento”.

Tinha valor então, que os filhos tivessem “todos os caracteres físicos da raça branca”. Ao disser de Nina Rodrigues (1918, considerado o criador da Medicina Legal brasileira): "a civilização ariana está representada no Brasil por uma fraca minoria da raça branca a quem ficou o encargo de defende-la (...) (dos) atos anti-sociais das raças inferiores...".
Depois de 30 anos de abolida a escravidão, a discriminação seguia intacta.

Seleção dos imigrantes
As políticas dos governos para imigração foram influenciadas pelas propostas de branqueamento como se fosse “ciência comprovada” já que durante a primeira metade do século XX as pessoas davam por certas essas teorias.
Em 1890, o presidente Deodoro da Fonseca assinou um decreto que fixava a entrada de imigrantes da África e da Ásia, a mesma dependeria da autorização do Congresso Nacional. O decreto não restringia a imigração dos europeus. A “seleção dos imigrantes” aconteceu em todos os países, outros, restringiram a entrada de imigrantes do sul da Europa (italianos, espanhóis, portugueses, gregos, etc) como em Estados Unidos de América enquanto beneficiavam a entrada de imigrantes do norte da Europa (ingleses, escoceses, alemães, suecos, noruegueses, etc).
A migração japonesa aconteceu no Brasil depois de modificado o decreto (1908) já que tinha diminuído a imigração européia e faltavam trabalhadores.

Imigração interna, urbanização e favelas.
Devemos lembrar que os trabalhos oferecidos aos imigrantes eram trabalhos para pessoas pobres (lavouras do café e mineração) apenas uns poucos se tornaram proprietários e a massa de italianos, espanhóis e portugueses tinha sido mandada às minas ou para as fazendas do café trabalhando nas plantações de terceiros com salários fracos ou como colonos, uma forma de trabalho semi-assalariado onde receberem salário misto, entre dinheiro e terra para plantar seu próprio sustento... Eles tiveram maior tendência a se misturar com índios e negros além de outros imigrantes. Em geral, os alemães, suíços, japoneses e chineses ficaram em suas comunidades sem misturas ou simplesmente com algumas poucas misturas só com outros imigrantes e tiveram melhores condições econômicas.
Os imigrantes que em seus países de origem eram tipicamente urbanos se dedicaram ao comércio nas cidades.
As jornadas de trabalho nas plantações eram esgotadoras e as pessoas eram exploradas por parte dos fazendeiros. Milhares de pessoas abandonaram as plantações de café e partirem para as cidades em busca de melhores condições de vida chegaram sem casa e sem trabalho.
Além dos colonos, também imigraram às cidades todos os habitantes sem condições de sobrevivência em as seus regiões de origem (por exemplo, os retirantes do sertão).
Nos centros urbanos se agruparam por nacionalidades, (assim, por exemplo, em SP os italianos se agruparam em Mooca e Bela Vista), foram operários trabalhando na incipiente indústria brasileira.
A população começou a se misturar, por própria decisão ou por violência exercida pelas pessoas de melhores condições econômicas ou sociais. Em ambos os dois casos, surgiram diversidade étnica e cultural.
A Imigração urbana deu uma nova fisionomia às cidades industrializadas. O Brasil passava por um processo de urbanização surgindo os bairros de pessoas pobres, pessoas afaveladas.
Ao chegar os imigrantes europeus trouxeram suas idéias políticas anarquistas, socialistas. Suas idéias do sindicalismo, e começaram as greves operárias em todo o país.

Nas próximas pesquisas tentarei compreender como era a vida dessas pessoas que chegaram aos centros urbanos e se integraram aos trabalhos “de cidade”. Negros, índios e europeus, todos pobres, todos sem morada, todos com poucas condições econômicas e com analfabetismo ou semi-analfabetismo, todos com história de lutas pela sobrevivência ou pela liberdade...

sábado, 4 de septiembre de 2010

Pessoas que entraram no Brasil:

A riqueza de nosso continente produziu a espoliação que ocasionou nossa pobreza atual...
Até o ano 1822, as pessoas que entraram ao Brasil foram colonizadores, depois foram imigrantes.
Quando começou a expansão da economia, principalmente no período das grandes plantações de café no estado de São Paulo, começaram a fomentar a imigração estrangeira já para trabalharem nas plantações ou nas minas de ouro, trabalho de pessoas pobres.
Em todo o século XIX e princípio do século XX, elas chegaram pelo fomento dos governos não porque tivessem condições econômicas. A chegada das pessoas com condições econômicas boas foi em pequena escala e se deu no século XX.
Nos movimentos imigratórios se podem considerar cinco etapas:
1. Ocupação inicial por povos conhecidos como originários (chamados de índios).
2. Colonização (entre 1500 e 1822) feita por portugueses (onde trouxeram escravos provenientes da África). A maioria dos portugueses fazia parte da iniciativa privada que colonizou o País: grandes fazendeiros ou empresários falidos em Portugal que, através da distribuição de sesmarias, tentavam se enriquecer facilmente e retornar para Portugal. Dedicaram-se principalmente à agricultura, baseada no trabalho escravo, inicialmente efetuado por indígenas, mas, sobretudo, por escravos africanos.
3. Por imigrantes alemães e chineses. E, depois de 1875, pelos imigrantes italianos.
4. Imigração como fonte de mão-de-obra para as fazendas de café na região de São Paulo, entre o final do século XIX e início do século XX, foi com um largo predomínio de italianos, portugueses, espanhóis e japoneses. Só alguns retornaram a os seus países.
5. Com melhores condições econômicas chegaram para os centros urbanos em crescimento, italianos, portugueses, espanhóis, japoneses e sírio-libaneses, além de várias outras nacionalidades. Há uma Imigração mais recente, reduzida e de pouco impacto demográfico, iniciada na década de 1970.
Os primeiros imigrantes voluntários a vir para no Brasil foram os chineses, no ano 1808, foram trazidos pelo governo do príncipe regente com o objetivo de introduzir o cultivo de chá no Brasil.
Entretanto, a mão-de-obra livre de imigrantes estrangeiros ainda era considerada dispensável pelos grandes fazendeiros.
O primeiro movimento organizado de imigrantes europeus, contratado pelo governo brasileiro, foi a imigração suíça para a região serrana do Rio de Janeiro. A sua maioria era composta de suíços de cultura e língua francesa, não eram pobres e puderam abandonar seus lotes e se dispersaram por toda a região serrana e centro-norte do estado do Rio de Janeiro, em busca de terras férteis e mais acessíveis. O segundo movimento organizado foi de imigrantes alemães que também se estabeleceram na mesma região. A colônia de suíços e alemães originou a atual cidade de Nova Friburgo no Rio de Janeiro.
Desde a Independência do Brasil, diversas leis proibiram o tráfico de escravos, mas foi somente com pressão militar e política da Grã-Bretanha que terminou o tráfico negreiro em 1850, foi quando pensaram nos imigrantes não portugueses e, nas fazendas, começou a se utilizar o colonato, uma forma de trabalho semi-assalariado. O imigrante e sua família recebiam o salário misto, entre dinheiro e um pedaço de terra para plantar seu próprio sustento. As jornadas de trabalho exaustivas e a exploração por parte dos fazendeiros faziam os primeiros imigrantes deixarem as plantações de café e partirem para os centros urbanos onde se dedicaram ao comércio e à indústria, com dificuldade para se adaptarem.
A grande maioria dos colonos ficou em definitivo no Brasil e permaneceu tão pobre (ou mais) que como chegara.
Os colonos pobres de diferentes nacionalidades sem condições para sair dessa situação (só alguns o lograrem) se instalaram perto dos outros marginalizados... os índios, os negros e formarem a população pobre do Brasil, os excluídos. Os que originaram diversos conflitos sociais.
O Brasil misturado da pobreza será o tema das próximas pesquisas.