martes, 24 de agosto de 2010

Os quilombos. Primeira parte.

Os negros eram tratados com uma crueldade incrível, os exemplos de violência causavam espanto (dos castigos físicos já falei em “A escravidão” 08/08/2010).
Tinham que aceitar a escravidão como uma graça já que segundo a lógica reinante “como a Igreja o tinha cristianizado teria que ficar agradecido para toda a vida”.
O negro era o mais inferiorizado na sociedade, era chamado de preguiçoso, traiçoeiro, malicioso, vadio... O mulato estava um grau acima, até ele acreditava que estava mais próximo ao branco, negava a própria cultura, os valores negros. Muitas vezes aceitava a superioridade dos brancos que os tinham de vassalo.
Gilberto Gil, O el dorado Negro.
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Diante de tantas injustiças, muitos lutaram pela liberdade... As lutas adquiriram várias formas, desde suicídios até fugas, desde insurreições até guerrilhas.
As lutas que tinham empreendido, foram motivo de discussão posterior e originaram diferentes linhas de estudo. Para alguns não eram movimentos de consciência coletiva organizadas, eram rebeldias onde procuravam se liberar da escravidão, para outros foram lutas de classes (na parte dois falarei disso).
Os fugidos se reuniram em lugares de difícil acesso fazendo ali sua morada, com terras férteis, animais, frutas, rios, madeira... Tudo o que necessitavam para a vida e para a luta... Os quilombos... Segundo o escritor Eduardo Galeano “Santuários de Liberdade”. Os quilombos foram redutos base da resistência negra contra a escravidão, acharam se em qualquer lugar do Brasil onde houvesse relações escravistas, funcionavam como elementos de desgaste da sociedade branca. A organização social era importante, muitas vezes foram destruídos parcial ou totalmente e novamente foram organizados pela força e coragem de seus moradores.
O quilombo que mais se destacou pela organização, pela extensão e pela duração (mais de 65 anos) foi o “Quilombo de Palmares”, foi um verdadeiro Estado Negro Autônomo no Brasil senhorial...
As pessoas que moravam ali não eram apenas negros, não. Aceitaram mestiços, índios... Estavam organizados, domesticavam animais, desenvolviam a arte da cerâmica e os rudimentos da metalurgia. Houve diferentes maneiras de chegar a um quilombo:
• Os que chegavam por vontade própria (fugindo) ficavam livres direito,
• Os que chegavam por ter sido raptados ou aprisionados na guerrilha ficavam aprisionados até que levaram outro negro ao quilombo, então ficavam livres.
As terras férteis onde estavam permitiram os cultivos de milho, mandioca, cana-de-açúcar, arroz, batata-doce, a produção a usavam para eles e para fazer comércio nas cercanias.
A organização política era semelhante ao reino da África, com um Rei e um Conselho, ao Rei era escolhido entre os que tinham destaque na guerra, uma condição muito importante ser rei era não querer negociar a paz com os brancos, a paz a conseguiriam por meio da luta...
Zumbi foi o rei da grande resistência em Palmares, no ano 1694 depois de uma heróica resistência foram apanhados por surpresa e morreram lutando, todos menos Zumbi que apenas foi apanhado e decapitado no ano seguinte, sua cabeça foi exposta na praça.
Zumbi não era imortaL (20 de novembro de 1695) como diziam seus homens...

20 de novembro: DIA DA CONSCIÊNÇA NEGRA em honra a Zumbi que tão dignamente lutou pelos direitos da população com bravura e coragem.