sábado, 28 de agosto de 2010

Os quilombos. Segunda parte: Evolução do conceito segundo estudos posteriores a 1694

Há traços comuns entre costumes verificadas na África e os quilombos americanos (Palmares foi o referente no estudo), há várias semelhanças na organização. A experiência africana indica que o processo de migração em procura de terras férteis, teria ocasionado um processo de fusão, interconexão e miscigenação entre os clãs, além das alterações nas estruturas econômica, social, cultural e psicossocial. De fato, os guerreiros africanos funcionaram resistindo ao domínio português e se incorporando depois à empresa escravista, muitos deles foram transferidos para o novo mundo na condição de elementos escravizados.
Os quilombos brasileiros foram cópias dos quilombos africanos, reconstruído pelos escravizados para se opor a uma estrutura política na qual se encontraram todos os oprimidos. Organizavam-se em função da persistência da cultura africana e em resposta ao processo de aculturação imposto pela sociedade escravista opressora.

No estudo dos quilombos há distintas abordagens já desde o século XVIII:

A definição produzida em 1740 pelo Conselho Ultramarino (autoridades portuguesas) para se referirem aos agrupamentos negros livre do domínio colonial que proliferaram após da campanha destruição do quilombo de Palmares foi a seguinte:
Quilombo, “toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte despovoada, ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles”.
A idéia de resistência cultural através de um restauracionismo de padrões africanos. Os fundamentos os encontraram em que os quilombolas mantiveram suas culturas originárias: religião, tradições sociais, linguagem, cultura material. Concluírem que tinham reproduzido tradições organizacionais (política e guerreira) dos povos bantos da África. Além de luta de frente à cultura opressora.
Na década de 1960 surge uma interpretação na qual a rebeldia escrava passou a ser inserida no contexto da luta de classes. Nessa linha se enfatizou os atos de rebeldia coletiva dos escravos. Mais a gente se pergunta, por que os quilombos não terem conseguido forças para destruir o sistema de opressão escravista?
Estudando o Quilombo do Leblom na cidade do Rio de Janeiro nos anos finais do escravismo se observa a inter-relação de africanos, crioulos, escravidão e outros grupos. Costumavam manter estreitas relações com as comunidades em geral, no que se chamou de quilombos relacionais, ou seja, não só a idéia de quilombo como “sobrevivência africana”. No Quilombo do Leblon se especializavam na produção de camélias, flor símbolo do movimento abolicionista, e contava com a proteção de personalidades de destaque da sociedade carioca, inclusive da própria Princesa Izabel.
• O segundo Congresso de Cultura Negra das Américas se realizou no Panamá em 1980. Suas conclusões foram posteriormente publicadas com o título de “O Quilombismo: Uma Alternativa Política Afro-brasileira”, talvez seja o que melhor expresse o sentido de quilombo como um programa político do negro brasileiro. Nesse sentido “Quilombo não significa escravo fugido conforme ensinam as definições convencionais. Significa união fraterna e livre; encontro em solidariedade, convivência, comunhão existencial.”

Camélia, flor do movimento abolicionista.
Camélia branca = Flor de grande beleza e brilho, significa “O Belo perfeito”
Camélia rosada = Significa “Grandeza da alma”
Fim... mas segui...