domingo, 6 de febrero de 2011

O Brasil e sua economia. Nota 4

Ciclo da borracha (1879-1912).
Mão-de-obra análoga à escravidão
No início do século XVIII, foram descobertas as propriedades de uma árvore nativa da região amazônica que teria vários usos na vida humana. Com seu látex foi possível a fabricação de pneumáticos para a indústria automobilística. Um século depois, cerca do ano de 1870, começou a tornar-se sensação na Europa e nos Estados Unidos. A demanda crescia e gerou um rápido aumento na cotação internacional do produto.
O único local de existência da árvore era na Amazônia. Fazendeiros, pequenos agricultores, e outros empresários foram atraídos para constituir fazendas voltadas à extração de látex. Foram barões da borracha concentrando renda e mão-de-obra análogas à escravidão. Quando as pessoas chegavam para trabalhar, tornavam-se escravos por dívida com os coronéis.
Os fazendeiros da borracha concentraram a mesma participação que os cafeeiros durante o ciclo do café e proporcionou grande expansão da colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais.Os lucros ficaram concentrados basicamente nas metrópoles amazônicas, Belém e Manaus, suas rendas chegavam a ser uma das mais altas do planeta. Os lucros eram destinados principalmente às mãos dos empresários do sector financeiro. As duas cidades passaram por profundas reformas urbanas, frutificando imensos projetos urbanísticos, suntuosos palácios, luxo afrancesado.
Foi uma época de ostentação. O Ciclo da Borracha foi também conhecido na Amazônia como a Belle Époque.
Cerca de 30 mil trabalhadores morreram abandonados na Amazônia, depois de terem extraído o ouro branco. Eles morriam de malária, febre amarela, hepatite, atacados por animais ou assassinados quando resistiam lembrando as regras do contrato com o governo.
O governo brasileiro também não cumpriu a promessa de reconduzi-os de volta à sua terra. Calcula-se que conseguiram voltar ao seu local de origem cerca de seis mil homens.
Acreditavam que os altíssimos lucros da borracha seriam eternos. Com o fim do ciclo, tiveram suicídios, emigração em massa, abandono de casarões e o dinheiro ficou em poucas mãos...
O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida durante a II Guerra Mundial.
Os finais do primeiro e do segundo ciclo da borracha foram abruptos e demonstraram a incapacidade empresarial e falta de visão da classe dominante e dos políticos da região, eles não tiveram planos de desenvolvimento, gerando ineficiência e foram substituídos por empresas européias ou asiáticas.